Encontro em São Bernardo do Campo – 02/12/17

O II Barcamp do ABC ocorreu em 2 de dezembro de 2017, das 10:30 às 13:30h, na Livraria Psico Cultural, em Rudge Ramos. Foram dezesseis participantes, dentre eles, tradutores com longa estrada, de diferentes áreas, tradutores em início de carreira, intérpretes, dentre outros. Alguns retornando do primeiro barcamp, outros experimentando o encontro pela primeira vez.

Na agenda do dia, duas atividades: uma conversa com Damiana Rosa de Oliveira a respeito do livro sobre história da tradução, a sair em breve, e uma seção de aprendizagem interativa com Danilo Nogueira, sobre prática de tradução, versão e suas implicações. Dispostos em roda, mas conservando ao centro as mesas para apoio à escrita, os tradutores ali se organizaram e foi instalado um telão com projetor em um dos lados da sala para o conforto dos apresentadores.

Damiana iniciou sua fala perto de 10:45h, lembrando o que os tradutores sempre fazem: belos trabalhos sobre os quais nunca contam a ninguém. Mas o livro de sua coautoria, escrito com Andréia Vasquez, pretende mudar essa história: o objetivo é buscar no cotidiano da tradução, em diversas épocas, a face desse profissional escondido e tão importante para a comunicação dos povos: o tradutor. Como, quando e onde se encontra esse profissional? É o que as autoras querem mostrar e explorar de forma descontraída.

Como surgiu a ideia do livro? Isso se entrelaça com a ida de Damiana para o universo da tradução, partindo de um trabalho junto à Cátedra UNESCO na Universidade Metodista, no qual lidava com inúmeros personagens da história da imprensa no Brasil. Ali, a autora começou a colecionar fatos interessantes sobre os subterrâneos da profissão e teve sua primeira experiência prática na área. Tomou gosto, começou a pesquisar sobre a tradução e seus profissionais, passou a frequentar encontros com tradutores (alguns promovidos pelo próprio Danilo Nogueira) e preparou a transição para o perfil que tem hoje. Na lembrança dela, ficaram as ‘panquecadas’, praticamente antigos barcamps sem esse nome ainda, congregando profissionais novos ou aspirantes e os mais experientes. No cotidiano hoje, a tradução como profissão – essa, sim, ficou para Damiana. Curiosidades em uma caixinha, pesquisas e a vida em cima dos livros. Desse percurso, surgiu a possibilidade de um livro.

E para dar um gostinho do que vem por aí, Damiana nos contou o making of do livro: idas e vindas em busca de informações em arquivos, as negociações diversas para ter acesso a informações e os achados de valor historicamente incalculável. Ela compartilhou conosco a sua questão pessoal de querer nos tornar visíveis, de mostrar a relevância do que fazemos e de como isso muda a vida das pessoas. Todos embarcaram em suas histórias, que trataram da mexicana Malinche à Índia Paraguaçu, passando pela própria história do ABC paulista. Damiana foi aplaudida, respondeu a perguntas sobre seu trabalho e contagiou a todos com sua energia. Na próxima oportunidade, aguardaremos também Andréia Vasquez, coautora do livro, a quem desejamos melhoras e de quem sentimos muita falta. Sucesso a ambas! O livro deve sair em fevereiro do ano que vem e seremos todos avisados.

Um breve momento de cafezinho e água em pequenos grupos, antes da segunda parte, permitiu o networking entre os colegas e o reencontro de velhos conhecidos. Para nossa alegria, Damiana trouxe para sorteio duas vagas em cursos na Escola dos Tradutores. Um dos felizardos fará o curso Tradução audiovisual e o outro, LinkedIn campeão para tradutores.

Danilo Nogueira, então, tomou a fala e trabalhamos todos juntos em traduções e versões. A cada frase apresentada, inúmeras possibilidades para termos, tempos verbais, registro, ampliações, encurtamentos, variações verbais e nominais, etc. Em regime de oficina, a nossa mente ficou entretida por mais de uma hora estudando possibilidades, criando contextos, trazendo soluções e, mais ainda, cogitando interpretações que o público poderia trazer. A cada sugestão trazida, surgiam comentários sobre o uso, o registro e, coletivamente, aprendemos mais.

Um simples “Kiss me!” trouxe discussões hilárias com suas inúmeras variações. Nem simples, nem inocente: para nós, uma questão tradutória. Quando chegamos a expressões como “discutir a constitucionalidade e a regimentalidade” de uma certa proposta e começamos a enganchar, procurando apoio uns nos outros, vimos o quanto nosso trabalho demanda atenção, criatividade, conhecimento técnico, versatilidade gramatical e muito – mas muito – cuidado. E assim fomos discutindo até 13:30 ou um pouco mais. Como fechamento de uma conversa que poderia durar um dia inteiro, Danilo atentou para os recursos da língua portuguesa de nominalização; colocação pronominal de acordo com formalidade, informalidade e registro; uso de tempos verbais e, mais que tudo, o nosso companheiro de sempre: o contexto.

Pausa para muitas fotos, todas muito coloridas com a supercâmera profissional da Camila Elias, com direito a famílias (sim, os barcamps são altamente inclusivos) e muitos abraços. A maioria dos participantes resolveu almoçar no charmoso espaço gourmet da livraria e fizemos uma ampla mesa de amigos. Muitas histórias, ainda mais informais do nosso cotidiano, encompridaram a conversa e ali ficamos até fechar a livraria às 16h. Um detalhe: mais do que um encontro de profissionais, começamos a fazer amigos, a nos conhecer por nome, a quebrar a barreira virtual que apenas sutilmente nos une.

Andrea Massula, organizadora, aproveitou para se despedir e anunciar seu retorno a Curitiba, onde também agita e participa desses encontros. Além da herança dos barcamps, deixou uma lição de casa a todos os participantes: que pesquisem a TEA (Tecnologia do Espaço Aberto) para as próximas edições e que seja mantida a horizontalidade do encontro e o caráter de “desconferência” (não é preciso ter um palestrante toda vez), para usarmos a linguagem dos barcampeiros.

O próximo barcamp em 2018 ainda não tem data, mas é bem provável que seja realizado à tarde. Mal podemos esperar!

Feliz Natal a todos e que 2018 tenha muitos barcamps Brasil afora.

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