Encontro em São Paulo – 25/08/18

XIII Barcamp de Tradutores e Intérpretes de São Paulo

Por Samantha Pasoti

O nosso ofício não envolve apenas transmitir mensagens, mas incluir pessoas e fazer com que todos tenham acesso às informações.

Não custou nada para cada um(a) de nós, nesse último sábado um pouco chuvoso, acordar cedo, tomar café e locomover-se para chegar ao nosso destino: a livraria SBS na Vila Mariana, em uma sala pequena com ambiente acolhedor, para ouvir quatro colegas falarem sobre um assunto tão relevante.

Durante o caminho, a gente dá aquela uma olhada típica no Facebook, no Instagram ou em outras redes sociais, e as mensagens chegam até nós em segundos.

No entanto, não é bem essa a realidade de muitas pessoas no Brasil.

Eis o porquê o tema do encontro foi “Tradução e inclusão”. A nossa colega intérprete de Libras, Paloma Bueno, começa abordando a dificuldade que os deficientes auditivos encontram ao tentarem ler as legendas de filmes e como são discriminados pela sociedade, além das particularidades desse mercado.

Sabiam que muitos deles não têm a leitura labial como uma habilidade natural? Além disso, quando a questão é cognitiva, os aparelhos auditivos não resolvem.

Um fato interessante foi saber que a LIBRAS, assim como o nosso querido português, tem vários dialetos (e dependendo da situação, em um comercial, por exemplo, escolher qual usar acaba sendo uma saia-justa para o intérprete).

Ainda bem que a profissão é reconhecida e podemos contar com bons profissionais que incluem essas pessoas ao exercerem um ofício tão nobre.

A Katarinna Pessoa, logo após a Paloma, apresenta questões técnicas sobre legendagem e o que é relevante e irrelevante nas legendas para surdos e ensurdecidos (a transcrição de efeitos sonoros, os personagens importantes que apenas aparecem mas não falam no filme, nomes que não podem ser relevados para não estragar a trama, etc.) .

Ela também apresentou a sua pesquisa e o Projeto MOLES [Modelo de Legendagem para Surdos e Ensurdecidos] , com várias transcrições de fala e efeitos sonoros.

A Ana Julia Perrotti-Garcia, na sequência, fala com paixão de uma área que tem crescido e muito nos últimos anos: a audiodescrição.

Transformar imagens em palavras também é outra forma de inclusão.

Sabem daquela sensação maravilhosa de assistir a um espetáculo, emocionar-se ao ver um filme ou contemplar uma obra de arte importante? Então, os profissionais dessa área tornam isso acessível para que os deficientes visuais vivam essas experiências tão significativas!

Para isso acontecer, há até consultores para confirmar se o trabalho está adequado ao público. Esse consultor, conforme o nosso colega radialista Rafael Nimoi falou com propriedade, precisa ter essa vivência. O melhor é que todos podem ser beneficiados pela audiodescrição, por exemplo: enquanto você lava a louça ou trabalha, poderá ouvir a narração de uma série ou filme. Se um dia fizer isso, tenha certeza de que ouvirá detalhes que escaparam aos teus olhos.

Após um momento de café muito gostoso, partimos para a etapa de perguntas e a Ana Julia mostrou alguns exemplos de audiodescrição.

Saí de lá com uma sensação muito boa por fazer parte desse mundo e ter visto a seriedade desses profissionais. Não imaginava a profundidade desses temas e torço para que tenhamos cada vez mais recursos nessas áreas.

Por um mundo cada vez melhor e inclusivo!

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