Relatório da TEA em Curitiba – 24/06/17 – parte 1

Esta é a primeira parte do relatório do barcamp de junho de Curitiba, baseado na Tecnologia do espaço aberto (TEA, ou OST em inglês, de Open Space Technology), uma abordagem para situações nas quais um grupo diverso de pessoas deve lidar com questões complexas de forma produtiva. Neste relatório, vamos apresentar a discussão feita no barcamp de julho, ocorrido no dia 22/07/17.


Essas foram as ideias apresentadas e o respectivo número de votos de cada uma:

  • organização de tarefas profissionais e administrativas e gerenciamento do tempo (9);
  • ser produtivo sem prazo (8);
  • como se profissionalizar (abrir uma empresa, ser freelancer, etc.) (7);
  • profissionalização (6);
  • troca de profissão (5);
  • profissionalização e formação na área de tradução e interpretação (5);
  • como vencer a preguiça e falta de motivação (5);
  • comunicação organizacional (4);
  • trabalho com clientes diretos na área de localização (4);
  • como conciliar tradução com uma segunda ocupação (4);
  • repassar trabalhos de tradução vai contra o acordo de confidencialidade assinado entre tradutora e agência? (4);
  • serviço de intérpretes online – Futtari (4);
  • melhorar a comunicação global, mais especificamente através do serviço de interpretação e tradução utilizando um aplicativo de celular (3);
  • como usar meu tempo como usar o meu tempo livre para me dedicar a tradução com eficiência (3);
  • como começar de verdade na profissão (2);
  • INSS para tradutores e freelancers (2);
  • preços (2);
  • como conseguir meu primeiro trabalho como tradutora profissional (1);
  • reconhecimento e formalização (0);
  • como vencer a procrastinação para evitar ansiedade, burnout e outros problemas de ordem psíquica (0).

As ideias mais votadas e as outras que eram semelhantes foram incluídas em dois grandes grupos:

  1. organização do trabalho e gerenciamento do tempo e
  2. questões de profissionalização.

Leia abaixo o relatório da discussão do primeiro tema.


Organização do trabalho e gerenciamento do tempo

A discussão começou animada com a dúvida gerada por um dos temas votados: como ser produtivo sem prazo. “Como assim, sem prazo?”, alguém perguntou. Explicou-se então que são aquelas coisas que é preciso fazer por iniciativa própria, mas que não colaboram diretamente para a produtividade no trabalho que já temos, e sim para torná-lo mais eficiente a médio ou longo prazo. Coisas como dominar uma CAT tool, estudar, enfim, investir no futuro. Às vezes a falta de trabalho pago pode nos estimular a fazer essas atividades, mas alguns afirmaram que mesmo assim, é melhor colocar algum tipo de prazo para elas.

Mesmo as atividades administrativas que estão diretamente ligadas ao trabalho acabam sendo atropeladas pelos muitos incêndios a apagar no dia a dia, como as interrupções para resolver dúvidas de clientes ou colegas, notificações variadas e outros pequenos problemas a resolver. Assim, faturas acabam não sendo enviadas ou compromissos não são cumpridos. Como lidar com essas questões ?

É difícil enfrentar essas questões por conta própria e criar o hábito de nos fiscalizar e ter perseverança. Alguns colocam que mesmo estímulos externos, ajudam por um tempo, mas também podem ser abandonados no meio do caminho. As mídias sociais acabam sendo um desafio à parte, pois cada vez que clicamos, lemos ou vemos algo, entramos num processo que aos poucos vai esgotando a força de vontade e há um desgaste mental que tira a energia para outras coisas.

Os próprios clientes “colaboram” nas questões de gerenciamento de volume de trabalho e tempo, pois enviam muito trabalho num mês, menos no outro, e no mês seguinte, de novo um volume grande. É complicado se organizar nessas condições.

E quais são as soluções? Há quem use programas e métodos ou tenha práticas como: anotar tudo, colocar pequenas metas todo dia, fazer acompanhamento do seu progresso, usar gamificação (como o site Habitica), dividir as tarefas em passos e fazer poucas coisas de cada vez.

Outros sugerem usar sistemas de auto-recompensa, ganhando “prêmios” apenas se cumprir uma certa meta. Outra ideia é ter uma planilha com pontos por tarefas, que dá direito às recompensas apenas se tiver feito pontos suficientes. Vídeos no YouTube também podem ajudar, e um deles sugere que é importante ter uma rotina da manhã, fazer o planejamento da semana e ter três objetivos para cada dia. Indo um pouco além, foi sugerido que ter metas do mês também pode ajudar.

A questão mais importante é achar o gatilho que serve para cada um, descobrir o que realmente faz diferença e estimula a continuidade. Para uns pode ser dinheiro, para outros pode ser outras coisas. É preciso fazer uma autoanálise para ver o que cada um precisa e o que funciona para si. Há quem use como estímulo as próprias tarefas a fazer, desafiando-se a trabalhar mais em um dia para recompensar-se no outro. Autoconhecimento e perseverança é o que guiará a escolha do método certo para cada um, é preciso tentar várias coisas.

Um dos pontos positivos de quem é profissional independente (=freelancer) é que nosso trabalho não é rotineiro e isso ajuda bastante. Além de ser flexível, pois mesmo com as dificuldades discutidas, há as partes boas, como: não ter horários a seguir, não conviver em ambientes ruins, não precisar se deslocar para trabalhar, poder definir o horário de trabalho e as ações a tomar para organizá-lo da melhor forma.

Sugestões que foram testadas e funcionam para alguns:

  • usar lembretes do Google Keep para tarefas (às vezes resolve, às vezes não, pois a pessoa pode se acostumar e acabar ignorando com o tempo);
  • usar uma agenda física, onde as tarefas que não sejam feitas em um dia são apagadas e postas no dia seguinte;
  • ter metas bem delimitadas, adequá-las à sua rotina para construir o hábito e que acaba virando necessidade;
  • respeitar o relógio biológico, o que pode significar dormir de manhã e trabalhar de madrugada (desde que durma o suficiente, não faz diferença acordar em horários não convencionais);
  • ter metas razoáveis, distribuir as tarefas por dias, negociar consigo mesmo;
  • não se julgar tanto, ter limites e respeitar necessidade de ócio quando o corpo manda parar;
  • ter persistência mesmo quando há perda de controle, tentar parar, respirar, retomar;
  • abrir mão de certas coisas, quando vir que a saúde mental está comprometida;
  • não deixar as coisas pesarem a ponto de deixar você inerte e sem saber como agir.

Foi citada uma palestra do TED, de Cal Newport, que sugere encerrar todas as contas das mídias sociais, algo que pode soar paradoxal na sociedade superconectada de hoje. O autor dos livros So good they can’t ignore you e Deep Work, diz também que não se deve trabalhar com sua paixão, mas com aquilo em que você é bom. Assim se cria um capital de carreira para ter controle sobre a própria vida e mais liberdade de escolha. Outra coisa que ele não recomenda é estabelecer sua marca pessoal (contrariando as sugestões constantes dos vários cursos que têm sido divulgados ultimamente).

Alguém contou sua experiência de abstenção da internet que gerou um grande incremento de tempo e foi bem aproveitado: três semanas em que a pessoa leu seis livros, assistiu a uma série inteira, criou poesias. Usando um bloqueador do feed de notícias, filtrou o excesso das informações muitas vezes desnecessárias que recebia.

Comentou-se que as mídias sociais são projetadas para viciar usando um sistema de recompensa do cérebro, que pode ser pior que cocaína, já que a exposição e a acessibilidade são maiores. O fato é que o excesso de informações e uso de mídias sociais cansa o cérebro, esgotando as energias e a força de vontade. Além de que esse excesso pode estimular as pessoas a criar as famosas bolhas de isolamento.

A conclusão que chegamos então é o importante é testar ideias diferentes até encontrar o equilíbrio, mantendo em mente que é preciso se conhecer muito bem para avaliar o que é melhor para si. Cada um é único, mas trocar ideias, dividir seus problemas, ajuda muito, pois é assim que surgem possibilidades.

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